A intensa missão dos Navy SEALs em Ramadi, no Iraque, em 2006, ganha vida com brutal autenticidade em “Warfare”, a mais recente colaboração entre o diretor Alex Garland (“Civil War”) e o veterano das forças armadas Ray Mendoza. Durante a estreia no Reino Unido, os cineastas revelaram como sua recusa em moralizar o combate surgiu de um compromisso compartilhado com a verdade em um meio frequentemente inclinado à sedução.
O projeto nasceu da parceria anterior de Garland e Mendoza em “Civil War”, onde Mendoza atuou como consultor militar. Na época, Garland ficou impressionado com a autenticidade que Mendoza trouxe a uma cena em que soldados avançam por um corredor em direção ao Salão Oval. “Havia uma eletricidade naquilo”, explicou Garland em um Q&A antes da exibição. “O que eu via ali era uma verdade, uma realidade sobre como esses homens operam.” Essa percepção deu origem a “Warfare” — uma expansão de “cinco minutos de combate fictício” para “90 ou 100 minutos de reconstrução quase forense de um combate real”.
Mendoza, que sobreviveu à operação real em Ramadi (cerca de 110 km a oeste de Bagdá), escolheu essa missão em parte para ajudar um colega veterano que perdeu a memória do evento. “Havia uma história em particular, a de Elliott Miller, interpretado por Cosmo Jarvis”, contou Mendoza. “Quando Ali acordou, começou a perguntar o que havia acontecido, e é muito difícil explicar… ele não tem essa memória.” Depois de anos tentando transmitir a experiência por meio de mapas e relatos escritos, Mendoza percebeu que o cinema poderia trazer um fechamento.
Ambos os cineastas elogiaram a A24, que produziu o filme em parceria com a DNA Films, por permitir uma abordagem sem concessões. “A A24 nos deu a liberdade e os recursos para fazer o que queríamos”, disse Mendoza, destacando o momento certo para o projeto. “Trabalhar com Alex foi natural… todos sentimos que era a hora, que tudo estava alinhado.”
Garland reforçou a ausência de julgamento editorial no filme. “Quase tudo no filme vem de relatos em primeira mão”, afirmou. “Estamos apenas tentando recriar com precisão.” Essa postura contrasta com as expectativas atuais, como ele mesmo observou: “Vivemos numa época em que é difícil fazer qualquer declaração pública sem posicionar sua opinião sobre o que está acontecendo.” Para o diretor, a neutralidade permite que o público “receba o filme como adultos, cada um à sua maneira”, criticando abordagens com agendas pré-definidas como “infantilizantes e irritantes”.
Garland também refletiu sobre a relação do cinema com a guerra: “Há uma longa tradição de tornar a guerra sedutora, nem sempre intencionalmente… mas, no geral, filmes de guerra muitas vezes seduzem. Pode ser divertido, entretenimento, mas nem sempre é apropriado.”
O elenco inclui Charles Melton, D’Pharaoh Woon-A-Tai, Kit Connor, Joseph Quinn, Will Poulter, Cosmo Jarvis e Michael Gandolfini. “Warfare” estreia nos EUA em 11 de abril e no Reino Unido em 18 de abril.
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Este artigo foi inspirado no original disponível em variety.com