A Chefe da Berlinale, Tricia Tuttle, Sobre a Renovação do Festival, Conquistando Timothée Chalamet e Mantendo os Applaude Puros e Discretos

Tricia Tuttle, a nomeada diretora artística do Berlinale, já deixou sua marca indelével no festival de cinema mais importante da Europa, mesmo sendo seu primeiro ano no cargo. Durante a 75ª edição do Festival de Berlim, que contou com a presença de Robert Pattinson, Timothée Chalamet, Jessica Chastain e Jacob Elordi, Tuttle demonstrou uma energia inesgotável e uma determinação inabalável.

Embora soubesse que o desafio não seria fácil, Tuttle, uma amante erudita do cinema e uma pessoa direta, admitiu que o ano foi particularmente difícil devido às tensões políticas na Alemanha, incluindo o aumento da extrema direita na corrida para as eleições nacionais. Além disso, o festival enfrentou pressões para tomar uma posição no conflito entre Israel e Gaza. No entanto, Tuttle manteve uma postura de neutralidade, abraçando o cinema de todo o mundo[1][3][5].

A edição de 2025 do Berlinale, que iniciou com um discurso político de Tilda Swinton ao receber o Leão de Ouro por sua contribuição à carreira, foi bem recebida. Tuttle, que anteriormente liderou o BFI London Film Festival com grande sucesso por cinco anos, reinvigorou o Berlinale aumentando o número de exibições, construindo novos locais, incluindo o Stage Bluemax Theatre em Potsdamer Platz, e organizando sessões de Q&A com talentos e cineastas após as exibições dos filmes.

Tuttle é clara sobre a importância de criar uma atmosfera diferente e uma nova energia no festival. “Não é fácil falar sobre isso, pois não vou expor meu plano de cinco anos para todos, mas parte disso é criar uma atmosfera e uma energia diferentes. Não temos medo de ser um festival de público e de estar em uma cidade politicamente, cultural e intelectualmente engajada. Queremos garantir que haja espaço para que todos expressem o que precisam, e defender esse direito. O Berlinale pode ser o que diferentes tipos de público precisam: um lugar para lançar grandes filmes, exibir filmes íntimos e abrigar filmes que se cruzam com o mundo da arte”[1][3][5].

A abertura do festival, que contou com a presença de Tilda Swinton, foi um momento significativo. “Foi realmente lindo. Ouvi o discurso na noite anterior e fiquei muito comovida. É incrivelmente eloquente, como sempre é quando Tilda fala. Esperava que atingisse as pessoas no coração. A cerimônia de abertura foi exatamente o que precisava ser para esse momento específico”, disse Tuttle.

Tuttle também enfrentou o desafio de reconstruir a confiança do festival após um ano tumultuado, marcado por debates polarizados, especialmente em torno do conflito em Gaza. “Sentimos que reconstruímos a confiança, porque dissemos: ‘Este é um plataforma onde as pessoas podem ter conversas’, e não é sobre o festival precisar ser a voz. É sobre cada cineasta aqui, e os cineastas precisam ser a voz. Defendemos esse espaço, e acho que, durante a noite de abertura e o festival, vocês viram muitas perspectivas representadas”[1].

A preocupação com o aumento da extrema direita na Alemanha é um tema que Tuttle aborda com seriedade. “Sim, todos em todos os lugares estão preocupados com o aumento da extrema direita. Estamos preocupados com as mesmas coisas que as pessoas em todo o mundo estão preocupadas em seus próprios países. Os países europeus são construídos sobre uma história de imigração, e é muito estranho que estejamos vivendo um momento em que há um poderoso repúdio a isso. Os valores do que o Berlinale foi construído são que somos um espaço onde as pessoas podem se reunir de todo o mundo e celebrar isso, e comunicar entre si. Claro que estou preocupada com isso, como todos os outros”[1].

A importância do poder estelar no Berlinale também é um ponto de destaque. “É realmente importante, mas volta ao que eu estava falando sobre a amplitude. Isso atrai novas audiências. E acho que o cinema sempre esteve apaixonado por talentos na tela. Isso é de, no mínimo, 100 anos. Construímos histórias em torno de pessoas com as quais nos identificamos. É assim que as pessoas se conectam com o cinema. Cinefilos se conectam com o cinema de muitas maneiras diferentes. Nós amamos diretores, histórias, temas políticos, temas. Algumas pessoas também vêm ao cinema porque estão vindo por meio de uma estrela com a qual se identificam. Quando era criança, lembro que Goldie Hawn me levou em uma jornada. Paul Newman me levou em uma jornada. É assim que você introduz novas pessoas ao cinema, e é emocionante”[1].

Tuttle expressou sua satisfação com a resposta do público e a atmosfera do festival. “Estou me sentindo fantástico. Recebi muitos feedbacks muito positivos do público, como pessoas me parando na rua e estando muito animadas. A maneira como estamos fazendo a competição este ano é um pouco diferente, comigo ou um dos programadores no palco, fazendo algumas perguntas aos cineastas. É um grande festival e ele precisa fazer muitas coisas, e nunca satisfará a todos, mas sinto que muitas pessoas o encontraram muito enriquecedor este ano, e isso me deixa muito feliz”[1].

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