O Fandango quer se tornar o destino definitivo para os amantes de cinema. Will McIntosh, CEO da empresa, destaca que a plataforma já vai muito além da venda de ingressos. Com uma série de aquisições, o Fandango agora controla o Rotten Tomatoes, agregador de críticas de filmes, e o Vudu (rebatizado como Fandango at Home), serviço de aluguel e venda de filmes digitais. Além disso, a empresa lançou um programa para reserva de lanches, evitando filas no cinema, e passou a vender produtos temáticos, como os colares de “Deadpool & Wolverine” oferecidos no último verão.
McIntosh, no entanto, espera que as salas de cinema se modernizem. “O setor não investiu em tecnologia como outros mercados”, afirma o executivo, que chegou ao Fandango em 2022 após liderar a NBC Sports Next. “Há soluções incríveis para restaurantes, imobiliárias e até campos de golfe, mas os cinemas ficaram para trás. Isso prejudica a experiência do público.”
O programa de reserva de lanches é um exemplo. Segundo McIntosh, apenas a AMC adotou o sistema até agora—algo que o deixa frustrado, já que a rede viu um aumento nos gastos dos clientes via app. Só em 2023, o Fandango vendeu US$ 5 milhões em alimentos e bebidas para a AMC. “No fim de semana de Ação de Graças, com estreias como ‘Gladiador 2’ e ‘Moana 2’, faturamos meio milhão em lanches só para eles. Se todos os nossos 3 mil parceiros aderissem, geraríamos US$ 2 a 3 milhões para o setor”, calcula.
O Fandango comemora 25 anos nesta edição do CinemaCon, em Las Vegas, mas os últimos cinco foram turbulentos. A pandemia fechou salas por meses, e as greves de roteiristas e atores em 2023 reduziram o número de lançamentos. Em 2024, a esperada recuperação não chegou: filmes como “Branca de Neve” e “Mickey 17” decepcionaram. “Estamos vivendo o pior março da história das bilheterias”, admite McIntosh. Ainda assim, ele aposta no segundo semestre, com blockbusters como “Jurassic World: Rebirth” e “Avatar: Fogo e Cinzas”.
Para o CEO, as crises mostraram que os cinemas não podem depender só dos estúdios. Ele defende conteúdo alternativo, como transmissões de eventos esportivos ou shows. “Precisamos criar demanda. Se não há um filme bom, por que não exibir um jogo de futebol americano ou um concerto?”, questiona. O Fandango também quer facilitar a escolha do público entre salas, streaming e outras plataformas. Em outubro, lançou o Fandango FanClub, um clube de vantagens que já atraiu milhares de assinantes. “Queremos ser um ‘sistema operacional’ do entretenimento. Seja no cinema ou em casa, teremos a resposta”, conclui McIntosh.
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Este artigo foi inspirado no original disponível em variety.com