Financiamento Sólido e Parceria Produtiva Fomentam Nova Colheita de Filmes Suíços no Visions du Réel

Quem busca produções locais e histórias genuínas no maior festival de documentários da Suíça, o Visions du Réel, terá muitas opções em 2025. A edição deste ano, que acontece de 4 a 13 de abril, apresenta nada menos que 31 produções ou coproduções suíças, incluindo o filme de abertura, “Blame”, de Christian Frei. O veterano Frei, primeiro cineasta suíço a ser indicado ao Oscar em 2002 por “War Photographer”, divide espaço com novos talentos em estreias como “The World Upside Down”, de Agostina Di Luciano e Leon Schwitter.

Sobre a presença marcante de filmes suíços nesta edição, Charlotte Ducos, consultora de documentários e estratégias de marketing da Swiss Films, destaca: “É incrivelmente importante ter produções suíças em toda a programação, e que o filme de abertura não só seja nacional, mas também uma obra aguardada de um cineasta renomado.” Ela ainda ressalta que 43% dos filmes suíços são coproduções, mostrando a força da colaboração com países vizinhos como Itália, Alemanha e Áustria. Um possível impulso para essa cena foi a escolha da Suíça como Country in Focus no Marché du Film de Cannes no ano passado.

Frei elogia o sistema de apoio aos cineastas em seu país: “Sou profundamente grato pelo sistema de subsídios que temos na Suíça.” Foi graças a esse suporte que ele conseguiu recursos para um projeto ambicioso como “Blame”, que denuncia a desinformação durante a COVID-19. “Pude me dedicar sem depender do sucesso comercial”, afirma. Financiamento não falta por lá: além de incentivos regionais e privados, o principal mecanismo é o PICS (Film Investment Refund Switzerland), que reembolsa 20% a 40% dos custos de produção para filmes que rodem pelo menos cinco dias no país.

Os filmes suíços deste ano exploram desde a relação entre IA e criatividade humana até as alegrias e desafios da paternidade moderna, misturando investigações jornalísticas, docuficção e narrativas pessoais. Com tantas opções, selecionamos alguns destaques:

“Blame”, dir. Christian Frei

O primeiro suíço indicado ao Oscar retorna ao Visions du Réel com um tema polêmico: um mergulho na desinformação que transformou cientistas combatendo a COVID-19 em párias sociais. O filme de abertura investiga a relação entre política, ciência e mídia. Vendas internacionais: Rise and Shine.

“The World Upside Down”, dir. Agostina Di Luciano e Leon Schwitter

Coprodução suíço-argentina que mistura realismo mágico e folclore, acompanhando moradores de um vilarejo rural onde um avô e seu neto investigam um fenômeno misterioso no céu. Vendas: Indox Films.

“Wider Than the Sky”, dir. Valerio Jalongo

O italiano Jalongo explora como a IA interage com emoções e criatividade humanas, visitando laboratórios e estúdios artísticos para questionar se a tecnologia pode moldar positivamente o futuro.

“Colostrum”, dir. Sayaka Mizuno

Vencedora do Prix du Jury em 2016, Mizuno retorna com um documentário sobre um fazendeiro dos Alpes e uma voluntária urbana, unidos pelo cuidado animal e ecofeminismo. Vendas: Stranger Films Sales.

“Dads”, dir. David Maye

Maye examina a paternidade moderna através de quatro homens que discutem medos, tabus e estereótipos masculinos.

“Sons of Icarus”, dir. Daniel Kemény

Kemény revisita sua história familiar: seu pai, alemão, fugiu do pós-guerra para Cuba, onde criou filhos em culturas distintas. O filme é uma jornada de reconciliação através do cinema.


Este artigo foi inspirado no original disponível em variety.com

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