Festival de Cinema de Los Angeles Completa 2 Anos: Fundadores Compartilham Estratégias para Crescimento do Público Indie

Los Angeles é um paraíso para cinéfilos, com opções como a American Cinematheque e os cinemas de Quentin Tarantino, onde é possível assistir a filmes incríveis quase toda noite. No entanto, enquanto a programação de repertório está em alta entre os amantes de cinema da cidade, os filmes independentes muitas vezes lutam para ganhar visibilidade. É aí que entra o Los Angeles Festival of Movies (LAFM), que busca justamente dar destaque a essas produções. Depois de uma estreia esgotada em 2024, o evento — com foco no lado leste da cidade — está de volta em 2024 com uma seleção ainda mais ousada.

Organizado em parceria pela programadora sem fins lucrativos Mezzanine e pela distribuidora Mubi (responsável por “The Substance”), o LAFM acontece em apenas um fim de semana, de 3 a 6 de abril. Os passes com acesso total já se esgotaram, e agora os ingressos individuais estão disponíveis em uma última leva. A programação deste ano conta com apenas 12 longas, além de mostras de curtas-metragens (live-action e animação) e uma série de debates no Philosophical Research Society. Entre os destaques, está a estreia mundial de “Room Temperature”, um filme surrealista de terror dirigido por Dennis Cooper e Zac Farley, além de sucessos de festivais como Rotterdam e Sundance.

Há também comédias com nomes conhecidos, como “Friendship”, de Tim Robinson (A24), e “Magic Farm”, estrelado por Chloë Sevigny — adquirido pela Mubi antes mesmo de sua estreia no Sundance. “Este ano, a seleção é mais focada em descobertas. Fico honrada por o público estar abraçando isso”, diz Sarah Winshall, cofundadora do festival. “Muitos dos filmes eu nem conhecia até começarmos a revisar as opções.”

O LAFM não pretende ser um “Sundance satélite” ou uma mostra dos “melhores de outros festivais”. “Não estamos reaproveitando o trabalho de outros curadores. Queremos trazer o que ainda não chegou a Los Angeles”, explica Micah Gottlieb, diretor artístico da Mezzanine e outro cofundador do evento. “Apesar de não aceitarmos inscrições, sempre consideramos recomendações de pessoas em quem confiamos.”

O festival opera mais por convite do que por seleção aberta, evitando o modelo de muitos eventos que cobram dos cineastas para avaliar seus trabalhos. “Não queremos depender de voluntários ou estagiários para manter o festival”, diz Gottlieb. Após uma edição inicial feita com trabalho voluntário em 2024, o LAFM conseguiu financiamento para remunerar sua equipe neste ano. “Pedimos ajuda à comunidade, e eles responderam. Não dá para pedir que as pessoas trabalhem duro sem compensação duas vezes seguidas”, comenta Winshall.

A equipe agora trabalha em um pequeno escritório no bairro de Chinatown, perto dos locais das exibições: Vidiots (Eagle Rock), 2220 Arts + Archives (Historic Filipinotown) e o microcinema Now Instant Image Hall (também em Chinatown). A ideia é crescer aos poucos, mantendo o clima intimista. “Queremos que o festival seja como uma sala de estar para os amantes de cinema”, define Winshall.

Entre as novidades desta edição estão segundas exibições dos filmes — resposta à alta demanda do ano passado — e um espaço de convivência no 2220 Arts + Archives, com comida e áreas para descanso entre as sessões. A programação deste ano tem muitos filmes curtos (menos de 90 minutos), o que permite incluir mais títulos, mas também reflete a qualidade narrativa enxuta que os curadores valorizam. “Muitas produções atuais conseguem dizer muito em pouco tempo”, observa Gottlieb.

O LAFM também destaca filmes feitos por e sobre a Geração Z, como “Debut” (Julian Castronovo), “Cent Mille Milliards” (sobre uma trabalhadora sexual) e “Happyend” (Neo Sora), que fecha o festival com uma reflexão sobre viver em uma sociedade autoritária. “Esses filmes capturam questões urgentes do nosso tempo”, diz Gottlieb.

Para Winshall, o festival é para quem já ama cinema, independentemente da idade. “Meus pais vêm este ano, e é divertido pensar na programação que atrai um ‘boomer’ e um estudante do ensino médio. Mas, no fim, é para quem busca aventura no cinema.”

Questionados sobre o aumento da popularidade da programação de repertório em LA, Winshall discorda: “Sempre foi forte. Houve uma pausa na pandemia, mas a cena já era vibrante antes.” Gottlieb complementa: “O público pode se empolgar tanto com filmes novos quanto com relançamentos. Queremos conectar a cultura cinematográfica de LA ao resto do mundo.”

O festival ainda promove debates inusitados, como o que reúne a escritora Emily Spivack, o comediante John Early e a figurinista Shirley Kurata (indicada ao Oscar por “Everything Everywhere All at Once”) para discutir como objetos simples podem ter significado profundo no cinema. “Queremos criar um jeito diferente de celebrar o amor pelos filmes”, finaliza Winshall.


Este artigo foi inspirado no original disponível em variety.com

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