Revolução no Preço dos Jogos: Nintendo Lança Mario Kart World a US$ 80, Aumentando Debate Sobre Custos de Desenvolvimento e Acessibilidade

No final de 2022, a Activision arrastou o mundo dos jogos para PC para a era dos títulos AAA custando US$ 70, padrão que os consoles já seguiam. A empresa se tornou a primeira grande publicadora na Steam a abandonar o preço tradicional de US$ 60 ao lançar Modern Warfare 2. Dois anos e meio depois, só agora estou começando a aceitar a realidade de desembolsar 70 dólares pelo privilégio de fingir ser um sujeito que espada lagartos em mundos virtuais.

Mas parece que nem dá tempo de me acostumar, porque já surgiu um defensor de um novo patamar: US$ 80. Nesta semana, após o anúncio do Switch 2, a Nintendo revelou que Mario Kart World, um dos jogos de lançamento, custará US$ 80 na versão digital. O preço do console em si — US$ 450 — já está gerando debate, e a expectativa é que o valor aumente ainda mais nos EUA após o adiamento das pré-vendas, causado pelos novos impostos anunciados pelo governo Trump.

A justificativa para o aumento segue o mesmo argumento usado quando os jogos saltaram para US$ 70: custos de desenvolvimento mais altos e inflação. São fatores reais, é verdade. Hoje, desenvolver um Call of Duty beira o bilhão de dólares, e o poder de compra da moeda americana caiu um terço na última década.

Não surpreende, portanto, que os jogos continuem ficando mais caros. O problema é que, enquanto os salários nos EUA permanecem estagnados e o custo de vida só sobe, qualquer aumento — justificado ou não — fica difícil de engolir. Mesmo que a Nintendo tenha finalmente permitido que vacas dirijam karts, o que é, sim, maravilhoso.

Dizem que os videogames são “à prova de recessão”, já que as pessoas continuam jogando mesmo quando o dinheiro está curto, preferindo entretenimento em casa a saídas caras. Mas, depois do boom pandêmico, o mercado encolheu, com grandes empresas demitindo milhares quando os investimentos feitos naquela época não deram retorno.

E, enquanto isso, a realidade é que a maioria dos jogadores de PC está ocupada demais com o que já tem, obrigado. Segundo a Newzoo, 92% do tempo gasto por esses jogadores é em títulos mais antigos. Quem compra um Switch 2 está automaticamente comprometido a adquirir jogos novos para ele. Já um PC gamer ou um Steam Deck abrem portas para uma infinidade de jogos gratuitos, clássicos baratos e sucessos inesperados, como Schedule 1, indie de US$ 20 que lidera as vendas da Steam em receita.

Até no topo da cadeia há opções como Baldur’s Gate 3, que mantém seu preço base em US$ 60 e continua entre os jogos mais jogados da Steam quase dois anos depois do lançamento.

A Activision e outras grandes publicadoras talvez façam bem em deixar a Nintendo liderar sozinha a cobrança de US$ 80 por jogo — por enquanto. A Rockstar provavelmente conseguiria cobrar o que quisesse por GTA 6 (quando ele chegar ao PC, pelo menos), mas essa é uma exceção. E, com a renda disponível dos americanos em queda, arriscar trocar o 7 por um 8 no preço pode ser um tiro no pé.


Este artigo foi inspirado no original disponível em pcgamer.com.

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