As bolsas de valores despencaram pelo segundo dia consecutivo, marcando um recorde histórico de perdas em dois dias no mercado acionário americano. O temor de que as tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump possam desencadear uma grande guerra comercial e levar a uma recessão econômica continua assombrando os investidores. Na sexta-feira, o S&P 500 fechou em queda de 5,97%, enquanto o Dow Jones Industrial Average perdeu 2.231,07 pontos, uma queda de 5,5% – ambos os maiores declínios diários desde junho de 2020, durante a pandemia de COVID-19. O Nasdaq Composite recuou 5,8%, entrando em território de “bear market”, com uma queda acumulada de mais de 20% em relação aos picos de dezembro de 2024. Segundo dados da Dow Jones Market Data, o mercado acionário americano perdeu US$ 6,4 trilhões em valor nos últimos dois dias, superando o recorde anterior de US$ 4,4 trilhões em março de 2020.
O gatilho para essa queda acentuada foi o anúncio do governo chinês de uma tarifa generalizada de 34% sobre produtos americanos, válida a partir de 10 de abril. A China é o segundo maior importador de bens dos EUA (atrás do México) e o terceiro maior mercado de exportação americano, depois do Canadá e do México. Grandes ações de mídia e tecnologia voltaram a cair na sexta-feira, incluindo Disney (-5,2%), Apple (-5,3%), Amazon (-2,3%), Roku (-7,7%), Warner Bros. Discovery (-10,2%), Sony (-5,8%) e Netflix (-6,1%).
As tarifas de Trump, que entram em vigor em 9 de abril, estabelecem uma alíquota base de 10% sobre importações de todos os países, com taxas mais altas para China (34%), Coreia do Sul (25%), Japão (24%), Taiwan (32%) e União Europeia (20%). O Ministério das Finanças da China criticou a medida, afirmando que “a prática dos EUA não está em conformidade com as regras do comércio internacional, prejudica seriamente os legítimos direitos e interesses da China e é um típico ato unilateral de intimidação”.
Em sua rede social Truth Social, Trump postou: “A CHINA AGIU ERRADO, ENTROU EM PÂNICO – A ÚNICA COISA QUE ELES NÃO PODEM SE DAR AO LUXO DE FAZER!”. Ele também afirmou que suas políticas “nunca mudarão” para os investidores. Embora as tarifas não afetem diretamente Hollywood, analistas alertam que o aumento de custos e uma possível recessão podem levar os consumidores a cortar gastos com entretenimento e as empresas a reduzir investimentos em publicidade.
Questionado sobre os efeitos de suas tarifas, Trump disse aos repórteres: “Acho que está indo muito bem. Os mercados vão disparar, as ações vão disparar, o país vai disparar”. Ele ainda sugeriu que poderia reduzir as tarifas para a China caso o país aprovasse a venda do TikTok. Enquanto isso, consumidores americanos estão correndo para comprar produtos que terão tarifas aumentadas, como TVs e artigos esportivos, segundo o Wall Street Journal.
—
Este artigo foi inspirado no original disponível em variety.com